monsehor bastos

Monsenhor Francisco Bastos

 

Os primórdios da nossa associação estão intimamente ligados a dois nomes: Malempré e Monsenhor Francisco Bastos.

O primeiro é quem trouxe, do Rio de Janeiro, a ideia de um grupo de escoteiros realmente dentro dos moldes idealizados por Baden Powell. Malempré foi a alma e a força que resultou nos trabalhos brilhantes da associação.

Na época, o cônego Francisco Bastos, vigário da Consolação também idealista e entusiasta, forneceu todo o apoio que Malempré precisava.

Depois Monsenhor Bastos, colocou à disposição  o prédio da antiga paróquia ao lado da nova pra a sede do movimento. Quando os escoteiros ali se reuniam, com as inúmeras bandeiras dos grupos desfraldadas, aos cantos e gritos de guerra, um arrepio de emoção e entusiasmo percorria os jovens de todos os recantos de São Paulo.

Monsenhor Bastos, mesmo depois que seu grupo não mais existia emprestava material de campo e incentivava os outros grupos escoteiros.

Nascido em Piracicaba em 11 de Setembro de 1892, assumiu a igreja da Consolação em 1921, quando as obras de reconstrução encontravam-se paralisadas. Formado pela Universidade Gregoriana de Roma em Filosofia e Teologia esteve à frente da paróquia durante 47 anos.

Em 1936 foi um dos fundadores do São Paulo Futebol Clube, sendo eleito inclusive o primeiro presidente do conselho. Nos primeiro anos de vida do clube levava os jogadores para se concentrarem na Igreja, no terceiro andar da torre onde haviam diversas beliches. Até hoje é reconhecido como um dos personagens mais importantes da história do clube.

Em 1984 durante uma reunião de antigos chefes, foi ventilada a ideia de uma reunião com Monsenhor Bastos que estava a muitos anos sem contato com o escotismo.

O relato abaixo foi escrito pelo Chefe José Spina:

"Encontrei-o bastante saudável e lúcido e passamos a trocar informações para nos localizarmos naquela época distante. Suas lembranças de Malempré foram bastante lisonjeiras.

Como novidade, para mim, contou que a sede da nossa Associação (antigo prédio da paroquia) foi emprestada pelos escoteiros durante a Revolução de 1924 para prestar serviços a população, pois a cidade de São Paulo estava sendo bombardeada por canhões de ambos os lados, legalistas e revolucionários. Os escoteiros forneciam comida e alojamento, dentro do possível, pois a população desorientada , se deslocava de um lado para outro, com crianças, velhos e doentes.

Os escoteiros foram amparados nessa tarefe por José Carlos de Macedo Soares, então governador “ad Hoc” de São Paulo, diante do abandono do posto de Presidente do Estado por Carlos de Carlos.

Datou daí uma grande amizade entre a família Macedo Soares e Malempré.

Macedo Soares foi exilado, mas na sua volta recebido triunfalmente pelo povo de são Paulo, numa apoteose então denominada “Marcha Aux Flambeaux”. Conduzidos por Malempré, os escoteiros (eu entre eles) reverenciamos o patrono de nossa boa ação perante a população de São Paulo.

Esclareci também na visita com Mons. Bastos um aspecto que me intrigava: Se o amparo de inúmeros sacerdotes naqueles tempos, era do conhecimento do arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo e Silva. Não só era do conhecimento, afirmou Basto, como o arcebispo dedicava grande interesse pela difusão do escotismo e também se tornou grande amigo de Malempré.

Propositalmente não fiz a entrevista durar muito, pois era nossa intenção leva-lo até nossa sede atual, sob algum pretexto qualquer.

Duas semanas depois, morria Monsenhor Francisco Bastos."


 

Gostou? Então compartilhe!